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Ambassador Katz interviewed by Jornal de Negócios (in Portuguese)

Jornal de Negócios - 23 de Julho de 2012

Embaixador dos Estados Unidos em Portugal:
“Portugueses são o parceiro perfeito das empresas dos EUA”

Allan J. Katz explica o porquê da sua aposta na promoção do Acess Africa Forum onde pretende estimular as parcerias empresariais entre portugueses e americanos que promovam o investimento

Jornal de Negócios (JN) - Qual é o objectivo do Access Africa Forum?

Allan Katz (AK) - O objectivo é o de juntar empresários portugueses e americanos no sentido de encontrarem oportunidades para trabalharem juntos na África Lusófona. Há dois anos juntámos pessoas de Angola, Moçambique e Cabo Verde. Este ano focámo-nos num único país, Moçambique, onde acreditamos que existem oportunidades. As empresas norte-americanas muitas vezes conhecem pouco sobre Moçambique. Não conhecem a língua nem a cultura. Acreditamos que esta é uma boa oportunidade para empresas dos dois países forjarem parcerias.

JN - Quantas empresas dos Estados Unidos é que marcaram presença nesta segunda iniciativa, que teve lugar em Maio?

AK - Estiveram envolvidas 176 empresas, sobretudo portuguesas e norte-americanas.

JN - Já tem resultados na sequência desta iniciativa?

AK - No primeiro fórum registámos 17 diferentes oportunidades de negócios que se concretizaram ou estão em vias disso. Já recebi correspondência de pessoas a agradecerem-me pela iniciativa. O que nós estamos a fazer é estimular esta interactividade entre empresários. O que acontece em todas as relações empresariais é que não são apenas uma coisa. Além de uma conferência é preciso que continuem a existir movimentações e que se trabalhem as oportunidades. É uma questão de tempo e de persistência.

JN - O que é que atrai os empresários norte-americanos em Moçambique?

AK - Em Moçambique existem interesses significativos no sector da mineração e o potencial de crescimento no sector da energia é muito grande tal como ao nível agrícola porque existe muita terra por cultivar.

JN – No primeiro fórum escolheram três países, Angola, Cabo Verde e Moçambique. Porque é que agora se concentraram neste último?

AK - A ideia, foi numa primeira fase, termos um olhar alargado sobre os países. Agora quisemo-nos focar num país porque pensamos que assim podemos ser mais efectivos.

JN – Países como Angola e Moçambique não são muito conhecidos nos Estados Unidos.

AK – Correcto. E essa foi uma das razões adicionais pelas quais tomei a iniciativa de levar em Abril empresários portugueses aos Estados Unidos. Para que os empresários americanos façam negócios com os portugueses não só nos Estados Unidos mas também em Portugal e em África.

JN – Como é que acha que os empresários norte-americanos e portugueses se podem encaixar em países como Moçambique?

AK - O que acontece é que temos empresas norte americanas que têm capital e conhecimentos específicos, mas podem não perceber a cultura, a língua e a forma de se relacionarem nesses países. Os norte-americanos têm muito capital e bons empreendedores. Os portugueses têm muita experiência no relacionamento com outros países e culturas e também têm experiência em trabalharem com empresas norte-americanas. De certa forma, são o parceiro perfeito.

JN – E o próximo fórum será sobre Angola?

AK – Tudo dependerá da forma como as coisas correrem em África, em Portugal e nos Estados Unidos.

JN – Como é que pensa que a África vai evoluir nos próximos dois, três meses?

AK - África é um continente muito diversificado e com histórias diferentes, mas para a África Lusófona antecipo que continuará a existir um crescimento económico.

JN – Como é que os Estados Unidos avaliam a crise europeia?

AK - Estamos naturalmente preocupados. A Europa é o nosso principal aliado económico e político e temos esperanças que a Europa e a Zona Euro em particular possam ultrapassar este momento sem que existam mais danos para a economia europeia.

JN – Alguns comentadores dizem que existe uma falta de liderança na Europa. Tem esta opinião?

AK - Acho que isso é injusto. O que acontece é que o processo é difícil quando existem 17 países diferentes e uma política monetária conjunta, mas quando a política fiscal permanece diferente para cada um dos países. Nos Estados Unidos quando forjámos a nossa Constituição puxámos toda a gente para um mesmo Estado. Na Europa, os países são muito antigos e é muito difícil para eles abdicarem de qualquer tipo de soberania. Aparentemente, parece que se está a pedir demais aos líderes europeus porque este é claramente um grande desafio para que façam tudo certo.

JN – Esta história vai acabar bem?

AK – Acho que vai acabar melhor do que certas pessoas estão a prever.

JN – O Banco Central Europeu devia ser mais interventivo, adoptando um modelo de funcionamento semelhante ao da Reserva Federal (Fed)?

AK - Copiar o modelo da Fed só porque funciona num determinado país parece-me irrealista. Nos Estados Unidos temos de lidar com o mundo político que temos. Na Zona Euro existem 17 mundos políticos, tantos quantos os países, e isso torna as coisas muito mais complicadas.

JN – Se o Euro acabar, isso é bom ou mau para os Estados Unidos?

AK – Muito mau.

JN – Como é que vê a situação económica de Portugal?

AK - É uma situação muito difícil e o Governo tem estado muito empenhado em cumprir tudo aquiIo a que se comprometeu com a troika, o que aumenta a credibilidade de Portugal em determinados fóruns europeus. Portugal tem de fazer cortes significativos num espaço de tempo curto e isso é difícil. Se tivessem mais tempo isso seria mais fácil para as pessoas. Ao mesmo tempo as reformas estruturais que estão a ser feitas irão criar um ambiente mais favorável à atracção de investimento o que poderá criar mais trabalhos e colocar Portugal melhor economicamente. Ao contrário da Grécia os fundamentais da administração portuguesa funcionam bem.


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